QUADRO DE NOSSO SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO OU DO ÍCONE  

1. Abreviação grega de”Mãe de Deus”.

2. Estrela no véu de Maria, a Estrela que nos guia no mar da vida até o posto da salvação.

3. Abreviatura de “Arcanjo S. Miguel”.

4. Coroa de ouro: o Quadro original foi coroado em 1867 em agradecimento dos muitos milagres feitos por Nossa Senhora em seu título preferido: Perpétuo Socorro.

5. Abreviatura de “Arcanjo S. Gabriel”.

6. São Miguel apresenta a lança a vara com a esponja do cálice da amargura.

7. A boca de Maria pequenina, para guardar silêncio e evitar as palavras inúteis.

8. São Gabriel com a cruz, e os cravos instrumentos da morte de Jesus.

    9. Os olhos de Maria, grandes, voltados sempre para nós, a fim de ver todas

as nossas necessidades.

10. Túnica vermelha, distintivo das virgens no tempo de Nossa Senhora. 

11. Abreviação de “Jesus Cristo”.

12. As mãos de Jesus apoiadas na mão de Maria, significando que por ela nos vêm todas as graças.

13. Manto azul, emblema das mães daquela época. Maria é a Virgem-Mãe de Deus.

    14. A mão esquerda de Maria sustentando Jesus: a mãe do consolo que Maria estende a todos que a ela recorrem nas lutas da vida.

15. A sandália desatada - símbolo talvez de um pecador preso ainda a Jesus por um fio - o último - a Devoção a Nossa Senhora!

O fundo todo do Quadro é de ouro, e dele esplendem reflexos cambiantes, matizando as roupas e simbolizando a glória do paraíso para onde iremos, levados pelo perpétuo socorro de Maria.

 

“O Quadro de N. Sra. do Perpétuo Socorro é a síntese da Mariologia” W.G. Assustado pela aparição de dois anjos mostrando-lhe os instrumentos de sua morte, Jesus corre para os braços de sua Mãe, e com tanta pressa que desamarrou-se o cordão da sandália... Maria abriga-o com ternura e Jesus sente-se seguro nos braços de sua Mãe! O olhar de Nossa Senhora não se dirige ao Menino, mas a nós: apelando para os homens evitarem o pecado, causa do susto e da morte de Jesus. As mãos de Jesus estão na mão de Maria para lembrar que Ela é a Medianeira de todas as graças.

E o que significam as letras vermelhas que se destacam daquele fundo dourado?

São letras gregas que, de forma abreviada, identificam as pessoas. Em o nome de Jesus Cristo, constam em cada palavra a primeira e a última letra das palavras correspondentes em grego: “Iesous Christós”.

À altura da cabeça de Nossa Senhora vemos, igualmente abreviadas, as duas palavras que são o resumo de toda a sua grandeza: “Méter Theou’ (Mãe de Deus).

Para identificar os dois arcanjos, o pintor se contentou com as duas letras iniciais e escreveu acima do que fica à esquerda: “Hó Archángelos Michaél” (O Arcanjo Miguel) e, acima do outro: “1-ló Archángelos Gabriél” (O Arcanjo Gabriel).

A túnica e o manto de Nossa Senhora têm gregas como enfeite; sobre o peito vê-se uma espécie de broche, e a gola larga que ela usa termina, sobre o braço direito, em franjas. As linhas douradas sobre as vestes de Nossa Senhora e do Menino Jesus criam uma atmosfera solene com relação a Maria, lembram a palavra do salmista: “A vossa direita se encontra a rainha, com veste esplendente de ouro” (Sl144, 10).

Digno de nota é também o harmonioso jogo de cores.Como combinam bem, nas vestes do Menino Jesus, o verde da túnica, o carmim da faixa e o marrom claro do manto - tudo coberto de filetes de ouro! Nossa Senhora por sua vez, veste uma túnica vermelha, distintivo das virgens naquele tempo, e um amplo manto azul escuro, forrado de verde; tem a cabeça envolta por delicado véu azul e verde, uma espécie de rede. Tudo isto confere-lhe ao mesmo tempo, um ar de modéstia e de majestade. Nos dois arcanjos as cores das vestes são o roxo co verde, que combinam maravilhosamente.

Note-se também o esmero no desenho das auréolas em todas as quatro figuras! Já vimos acima que as coroas sobre as cabeças de Mãe e Filho não fazem parte do quadro original, mas foram colocadas, em solene cerimônia oficial, no dia 23 de junho de 1867.

A técnica empregada na pintura do quadro foi a assim chamada “pintura à têmpera”, feita com pigmentos dissolvidos num adstringente, como cola ou clara de ovo. Não é, pois, pintura a óleo, como tantas vezes se tem afirmado.

O tamanho do quadro é de 54 x 41,5cm e a base é de nogueira. Vejamos mais precisamente a simbólica do mesmo.

No Oriente, a arte cristã serve-se da linguagem simbólica muito mais que no Ocidente. Justifica-se, pois, acrescentar ao sentido imediato e óbvio desse expoente da arte bizantina uma tentativa de interpretação simbólica.

A Mãe de Deus - pois ela é, nesse quadro, a figura principal - aparece cheia de majestade, destacada ainda mais pelo fundo dourado, e sobre sua cabeça brilha uma estrela de oito raios, a mesma estrela que encontramos no célebre quadro da Mãe de Deus de Vladimir, na catacumba de Santa Priscila (séc. 2) e no ainda mais célebre mosaico do arco de triunfo em Santa Maria Maior (séc. 5). Assim ela aparece como “a porta do céu, sempre aberta” e “a Estrela do Mar”, na expressão do hino “Alma Redemptons Mater”. Pois, o vidente de Patmos viu a Jerusalém celeste como uma cidade feita de ouro puro (Ap 21, 18), e Santo Tomás de Aquino (+ 1274) escreve em sua explicação da saudação angélica: “Como os navegantes são conduzidos ao porto pela estrela do mar, assim os cristãos são levados por Maria à glória do Céu”. Já muito antes dele, S. Cirilo de Alexandria (+ 444) dirigia-se a Nossa Senhora, dizendo: “Por ti apareceu a verdadeira Luz, o Filho Unigênito de Deus, àqueles que estavam sentados nas trevas e na sombra da morte. Por ti vaticinaram os profetas. Por ti os Apóstolos anunciaram a salvação aos povos... Quem, neste mundo, seria capaz de louvar-te condignamente, ó Maria, Virgem e Mãe?”

A mão direita de Nossa Senhora, estendida em direção ao Menino Jesus, representa, na arte oriental, sua intercessão junto a seu divino Filho. Que esta intercessão seja tão poderosa, ela o deve, tanto à sua posição de Mãe de Deus, como à sua íntima participação na Paixão e Morte de seu Filho. Ambas as coisas vêm expressas em nosso quadro.

As duas mãozinhas do Menino Jesus seguram a mao direita de Nossa Senhora. Dizem os orientais que isto significa exatamente a união de Maria com Cristo em sua obra redentora. Cristo é o novo Adão, o único Mediador da justiça, o único Redentor do gênero humano no pleno sentido da palavra. Maria é a nova Eva, a Mãe espiritual de todos os remidos, a Medianeira por graça de Deus, a Co-Redentora.

Observando-se com atenção essas três mãos, constata-se que Nossa Senhora segura a mão esquerda do Menino Jesus, deixando livre a direita. E que, na linguagem simbólica dos antigos, a mão esquerda é a mão do Senhor que castiga, enquanto a direita abençoa e nos dispensa graça e salvação. Assim o piedoso pintor parece repetir a passagem do hino “Ave, Maris stella”:

“Os males de nós afastai, Todo bem nos alcançai!”

O olhar de Nossa Senhora, sempre voltado para o espectador (faça a experiência!), lembra as palavras da Salve, Rainha: “Eia, pois, advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei!”

Um detalhe que chama a atenção de todo o mundo éa sandália que se desprende do pézinho do Menino Jesus e cai. A explicação óbvia disso já foi dada acima: o susto do Menino Jesus ao ver os instrumentos da Paixão. Entretanto, podemos também aqui procurar um sentido espiritual ou místico. No livro de Rute (4, 7) lemos: “Era outrora costume em Israel, nos casos de resgate ou de sub-rogação, que o homem tirasse o seu sapato e o desse ao outro, para validade da transação; isto servia de ratificação”.

Há quem veja simbolismos ainda: na boca de Maria, que é pequena, para guardar silêncio e evitar as palavras inúteis; nos olhos, que, ao contrário, são grandes e estão sempre voltados para nós, a fim deverem todas as nossas necessidades; nas mãos de Jesus, apoiadas na mão de Maria, significando que por ela nos vêm todas as graças; na sandália desatada, símbolo, talvez, de um pecador preso a Jesus por um fio - o último - a devoção a Nossa Senhora

Poderia alguém estranhar tanto simbolismo em um quadro só. Mas, não se esqueça que se trata de um “ícone”. Cada traço e cada cor, presente no ícone, tem um significado simbólico (já que o mistério, o invisível, só pode ser expresso mediante símbolos e a arte do ícone nasce da contemplação do mistério e quer levar os fieis a essa contemplação). Os autores de ícones são pessoas contemplativas, geralmente monges ou monjas, e o trabalho é executado em profundo recolhimento, oração contemplativa e jejum.